Alucinadamente Feliz · Vitórias

Reconhecendo Vitórias

Terça-feira tive uma sessão bem leve com a terapeuta. Falei sobre o ponto onde minha vida se encontra agora, sobre as portas que estão se abrindo, sobre como tenho me sentido cada vez mais confiante e preparada. E sobre como a ansiedade e a depressão estão cada vez mais calmas, me deixando em paz.

No final da sessão fiz um resumão sobre o quanto eu tinha avançado, desde que comecei esse processo terapêutico todo, com remédios e mergulhos profundos dentro de mim.

E gente, eu avancei MUITO! Nossa!

Em 2013 eu sumi. Sai do Facebook. Não queria ver gente. Estava no ápice da minha ansiedade e depressão. Não tinha perspectiva NENHUMA de nada. Trabalhar? Não, obrigada. Sair com os amigos? Bem raramente. Meus dias eram mofar na cama, chorar, me desesperar por não estar fazendo nada e não ter vontade de fazer nada. Uma ansiedade desesperadora que me consumia por dentro e começava a afetar quem estava ao meu redor e eu não sabia o que fazer. Aliás, não queria fazer nada. Nada, nada.

2014 continuou basicamente a mesma coisa. Fazia terapia. Algumas coisas melhoravam, mas outras me deixavam de cama. Mergulhos profundos dentro de mim que eu não estava preparada pra fazer, mas fazia por assim ser necessário. E esses mergulhos me sufocavam. Precisei trocar de terapeuta por questões financeiras. Uma crise explodiu em casa. Não queria nada. Um dia bem, uma semana mal. Perspectivas de trabalhar? De sair da cama? Zero. Saía porque precisava, mas mesmo assim botava só um pézinho pra fora e voltava, apavorada, exausta.

2015 entrei o ano com meu pai. Foi uma mudança boa. Demos um passo muito importante no nosso relacionamento. Pude derrubar um muro que impedia que uma das pessoas mais importantes da minha vida estivesse presente em momentos importantes. Viajei muito com ele. Comecei a frequentar o psiquiatra, fui diagnosticada, remédios. Um bom tanto de medo, um bom tanto de crises ainda. Um bom tanto de incertezas, mas um pouco mais de confiança. Respirei um pouco mais aliviada. Tinha um pai, tinha amigos, tinha nomes pros meus demônios. Começava a me sentir um pouco mais viva. Mas a ansiedade ainda puxava muito de mim. Passei momentos extremamente desagradáveis. Mais mergulhos sufocantes, mais isolamentos, mais medos, mais escuridão. Mas eu começava a me sentir um pouco mais determinada. Tentei iniciar meu trabalho como fotógrafa. MORRENDO DE MEDO, mas tentei. Tentei começar a correr atrás dos meus sonhos, objetivos, projetos. Comecei a testar métodos, caminhos, formas de me reabilitar na vida. Ainda com muito medo. Ainda cancelando coisas de última hora. Ainda sumindo. Vendi cookies hahahahah! Tive esperanças e decepções. E uma luz maravilhosa entrou na minha vida, segurou minha mão, me ajudou a levantar e me mostrou como eu sou grande, maravilhosa, forte, vitoriosa. Me encheu de esperança, de vontade de viver. Acabei o ano bem, leve, apaixonada. E um pouco mais feliz comigo mesma.

2016, aaah esse ano! O começo foi MUITO DURO. Os três primeiros meses foram de sofrimento intenso. Machucados, tentativas frustradas de suicídio, sim. Raivas, agonias, medos. Mais mergulhos profundos dentro de mim que eu não estava preparada. Descobertas importantes. Tristes, porém importantes. Reconhecer que não sou só vitima, mas também fui mal feitora. Uma puta reviravolta na minha cabeça que me deixou muito desestabilizada. Abuso de remédio. Machucados. Mas sim, uma determinação de lutar contra isso. Era como se o lado positivo de mim começasse a despertar e estivesse cada vez mais forte para lutar. E tive força de ir aos meus médicos cuidar da minha saúde. Me matriculei na academia. E como relato aqui, falto bastante, mas não desisti. Converso comigo e negocio. Iniciei de fato meu trabalho autônomo como fotógrafa. Nas subidas e descidas da minha vida comecei a me divertir nessa montanha russa. Vi que não era pra mudar de fora para dentro, que era o que eu tentava fazer, mas sim de dentro para fora. Eu não podia mudar ao mundo ao meu redor, por mais que quisesse. Não podia mudar as pessoas, não podia mudar as responsabilidades. Mas podia começar a me mudar. E comecei. Mergulhei em mim de novo e aprendi a me conhecer, a me entender, procurar saber como eu funciono e como, dentro desse funcionamento falho, eu poderia funcionar no mundo. E estou aqui. E estou aprendendo. E estou determinada. E estou reconhecendo esse caminho que estou percorrendo. As vezes eu acho que não fiz nada. As vezes acho que não sou ninguém. As vezes acho que sou uma fracassada, parada no mesmo lugar. As vezes eu acho que vou viver pra sempre presa dentro de mim, nessa ansiedade e depressão paralisantes. As vezes acho que não mereço essa vida.

Mas eu, agora consciente, olho para trás. Olho para o que já enfrentei. Olho o que já consegui alcançar! Meu relacionamento com meu pai, meu relacionamento com minha mãe, meu relacionamento com minha irmã, meu relacionamento com minhas primas, meu relacionamento com meu namorado. E meu relacionamento comigo mesma e com o mundo. Eu sai da minha bolha. Eu sai da minha zona de conforto. Eu enfrentei monstros, me machuquei, matei alguns bons bichos-papões. Eu percorri muito da minha estrada, nesses três anos. Eu perdi peso, eu melhorei minha saúde, eu trabalhei, eu amei, eu sorri, eu tive momentos incríveis. Eu me amei.

E eu me amo. E reconheço minha força.

Eu me perdoo por tudo que fiz de mal a mim mesma. Eu me agradeço por tudo de bom que fiz a mim mesma. Eu me amo e me apoio.

E 2016 está acabando com portas maravilhosas se abrindo! Oportunidades únicas que eu sempre sonhei e finalmente estou alcançando! Estou me sentindo tão realizada, que eu acordo todo dia e penso “caramba, essa é mesmo minha vida???” Porque eu estou alcançando meus objetivos! Estou vivendo de um jeito que sempre quis viver. Até meu quarto está decorado de um jeito que eu penso “esse é o quarto mais legal do mundo!” Eu me visto de um jeito que eu me sinto linda e confortável. Eu me relaciono de formas leves, livres e recompensadoras. Eu me esforço sem me forçar. Eu vivo! E eu continuo andando nesse caminho diagonal que é a minha vida. Tropeçando nas pedras, escalando os muros, caindo nos buracos, mas aprendendo a sair.

2016, tenho um pai, uma mãe, um namorado, saúde melhorando, trabalho, rede de apoio, criatividade, sonhos, vontades, caminhos, determinação. Amor. Auto-amor. Auto-aceitação.

2016, o ano que eu aprendi a me aceitar. Que eu perdi a vergonha de ser eu mesma. Que eu aprendi a me conhecer e lidar comigo. Que eu aprendi que não posso mudar o mundo lá fora, mas posso mudar o que preciso e aprender a lidar com o resto. Aprendi que posso me encaixar do jeito que sou. Aprendi que ser eu é maravilhoso.

Sou plena. Me amo. Sou completa!

Sou sim, extremamente feliz e realizada!

Que venha 2017 com suas pedras, muros, buracos, bichos papões! Nunca me senti tão preparada na vida!

Três vivas para mim!

E eu amo vocês ♥

Quero viver!

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