Crônicas da Bruxa de Tênis Azuis · Minha criatividade

Aurora

Uma neblina fininha cobria a cidade enquanto nós duas assistíamos o suave romper da aurora em silêncio total. A cidade aos poucos acordava, sonolenta, lenta, fria. Os postes sendo apagados aos poucos, finalizando mais uma noite de histórias e segredos e dando lugar aos primeiros raios de sol ainda tímidos. Uma explosão de cores começava a aparecer no céu. Azuis, rosas, roxos, amarelos, laranjas, até verdes. Era uma pintura. O céu, a cidade e nós. Quantos pintores já registraram tal magnificência? Nenhum. Porque nenhum viu com meus olhos. Todos os dias uma pintura nasce e nenhuma é igual à anterior ou à próxima. Meus olhos pintam o momento em minha mente, em minha alma, em meu coração. Paraliso observando minha criação até sentir seu toque amável e peludo. Ela me diz que é hora de voltar. A cidade despertou, a luz dourada já pinta outro quadro com carros, buzinas, pessoas, vida. Não é mais meu esse momento. O quadro já está pintado e não cabem mais almas nele. Só a nossa. Ela me morde levemente e me olha como quem diz “é hora de dormir, sonhadora”. Me banho nos últimos raios, ou primeiros raios, sentindo o calor que se inicia e quebra o frio da madrugada. Beijada pelo sol, eu finalizo minha pintura e volto para nosso silêncio escuro.

(“Ela” em questão, é a gata mesmo)
(Possivel prólogo de “A bruxa de tênis azuis”)

Quero um donut e leite achocolatado.

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