Aleatoriedades · Ansiedade · Bad

Eu não morri ainda

Mas meu cérebro tá pensando rápido demais como sempre e dá vontade de desligar essa porra pra eu conseguir me concentrar em qualquer coisa que seja. Ou pelo menos diminuir a velocidade dele.

Vontade de chorar, sair gritando correndo feito uma doida, sabe? Virar um animal bem primitivo que faz o que quer por aí. Eu sei, seria presa no mínimo, mas tem horas que dá vontade de jogar isso tudo pra fora e só sair por aí feito uma doida. Talvez me internem. O que tem sido uma das minhas vontades. Ficar internada sob observação tomando remedinho controlado e todo mundo cuidando de mim e tendo pena de mim.

Vamo lá

Primeiro xo explicar que eu tenho dois “eus”. Dois lados bem distintos da minha personalidade – fui interrompida aqui com minha mãe falando no telefone com o viva-voz ligado mega alto e eu não consigo me concentrar e prevejo ela vindo aqui no quarto em 3, 2, 1… não, ela não veio. Será que consigo me concentrar agora? Parece que sim. Mas ainda sinto que ela vem aqui falar alguma coisa. Enfim. – Dois lados distintos da minha personalidade que vivem em pé de guerra.

Lado 1: Emília Super Poderosa.
Ela faz tudo! Ela vai pra academia todos os dias, ela se alimenta restritamente, ela ajuda em casa, ela faz todos os trabalhos que precisa, ela dedica seu tempo à seu desenvolvimento profissional fotográfico, ela lê os livros sobre fotografia, ela estuda, ela é ativa, companheira, ela é o alicerce de muita gente, ela resolve os problemas, ela faz as coisas darem certo. Ela é workaholic que até enquanto tá com o namorado tá pensando no trabalho e que tem que fazer isso e aquilo. Ela se veste para impressionar, ela é a diva, ela sempre tem algo engraçado a dizer, sempre tem uma solução para tudo, é extrovertida, sai de casa, tá pronta pra qualquer coisa. Ela é a super mulher ideal para esses tempos modernos, mil e uma utilidades, luta pelo que quer, independente, guerreira. O EXEMPLO de mulher da era moderna capitalista onde tudo é rápido. Os movimentos dela são completamente ascendentes. O universo é o limite.

Mas ela me esgota. Mas ela não tem tanta criatividade. Ela não se conecta com o lúdico. Ela não respira. Ela não tem espiritualidade. Ela é super acelerada e ansiosa. Ela não dorme direito. Ela respira rápido demais. Ela tem tonturas.

Lado 2: Emília vítima deprimida coitadinha
Ela vive no seu próprio mundinho gótico-lúdico, que parece – Não disse que minha mãe ia vir aqui falar comigo e me interromper? Ela veio. – mundo lúdico que parece que foi criado por Tim Burton. Ela é sensível, ela ouve os animais, o vento. Ela está em contato com a terra, com o ar, com a água e com o fogo. Ela se ouve, ela ouve suas necessidades, seus desejos. Ela respeita seus momentos. Ela medita. Ela ouve o que seus personagens tem a dizer, ela cria histórias fantásticas, ela faz fotos fantásticas. Ela tem o abraço quente e gostoso que deixa qualquer um se sentindo leve. Ela sorri um sorriso sincero, de quem reconhece seus altos e baixos, e convive com eles. Ela tem estrelas no olhar. Ela conversa com a lua. Ela voa. Ela sente numa intensidade tal que parece que vai fazer sua alma explodir. E ela transforma isso em arte. Ela é o exemplo de artista genuína, genial, louca, que fala, pinta, escreve e fotografa a verdade. Ela toma o tempo dela. Os movimentos dela são descendentes. Não existe limite algum.

Mas ela também me esgota. Ela não tem força de vontade para encarar o mundo fora da esfera que ela criou. Ela não é pro-ativa. Ela tem medo de sair. Ela tem medo do sucesso. Ela é reservada demais, ela dorme demais. Ela é deprimida, é a vítima de anos e anos que já ficaram para trás. Ela cria vitimismos mesmo onde não existam.

Todas as duas sou eu. Todas as duas tem qualidades maravilhosas que me fazem ser quem eu sou. Todas as duas tem defeitos que me fazem ser quem eu sou. Mas elas não vivem em harmonia dentro de mim. Elas estão sempre brigando pelo domínio do meu corpo, da minha mente, da minha alma. Isso é esgotante. Tenho vontade de abraçar mas ao mesmo tempo de matar as duas. Sei que se matar as duas eu morro junto, porque elas são eu. São o que me constrói. Queria saber como fazer com que elas existam em paz. Queria saber equilibrar a criatividade de uma com a pró-atividade de outra. Queria encontrar esse ponto de equilíbrio. Mas é difícil negociar com as duas. Uma puxa a outra. Uma bate na outra. Uma tenta destruir a outra. E nisso, eu me sinto puxada, batida, destruída. Tentei até negociar agendas, rotinas, onde eu nem fosse ATIVA DEMAIS e nem PARADA DEMAIS. Academia 3 vezes por semana, descansos prolongados, dia de entrar em contato com algo lúdico e estimular a criatividade para poder criar algo bacana para ser usado como trabalho. Mas elas pegam cada chance e se apoderam. Continuam uma tentando dominar a outra. Uma tentando atingir o sucesso extremo e a outra puxando o pé e dizendo que ainda não está pronta. E no meio disso tudo, eu sofro. Vou uma semana inteira pra academia, me dedico 100% ao trabalho. Depois passo uma semana inteira sem conseguir sair da cama nem pra comer, conversando com meus personagens e imaginando suas histórias maravilhosas. Seria essa minha forma de viver? Semana uma, semana outra? Ainda assim me sinto insatisfeita. Elas se sentem insatisfeitas. Elas querem o total controle. Elas precisam se harmonizar, eu preciso me harmonizar.

É como se eu fosse a Garnet, formada pela Ruby e pela Sapphire e elas tivessem brigado. Uma toca fogo em tudo e a outra congela tudo.

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Preciso fazer essas duas se entenderem, preciso saber que eu sou feita de amor e mais forte do que você para viver em paz e ser a Garnet que eu nasci para ser.

MAS É DIFÍCIL PRA CARALHO PORRA! Tem muita meditação, muitos diálogos internos, muito auto amor e auto aceitação para encontrar. Muita terapia. Muitos posts. Muitas vivências, alegrias, sofrimentos. Um caminho longo até fazer essas duas se entenderem e se fundirem e aliviarem um super peso gigante das minhas costas.

E eu preciso parar de idealizar tanto. Elas tem qualidades mas não são perfeitas. Unidas também terão ainda mais qualidades, mas ainda assim não serão perfeitas. Serão eu. Única, unida em harmonia, mas ainda assim, nada perfeita. Porque nada é perfeito e é isso que dá graça ao mundo. Tropeçar nos defeitos, mudar o que for possível, mas saber conviver com os que estão ali. Aceitar as imperfeições é algo muito evoluído. E até agora não encontrei ninguém que não tivesse algum problema sequer com isso. Então por que que eu tenho que ser uma pessoa idealizada perfeita? Não tenho. Nem a Garnet é perfeita. Ela erra as vezes também! Só quero que meu lado Ruby e meu lado Sapphie se deem bem e se aceitem e me deixem viver a vida que eu quero viver. Com erros e acertos, mas pelo menos com um pouco de paz interior, para lidar melhor com o mundo lá fora.

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Agora tenho cartas para escrever. Mais uma parte intensa do tratamento que, ao que promete, vai ajudar que eu perdoe pessoas que me magoaram. Claro, não enviarei essas cartas. Devo queima-las ao final. Depois escrevo como foi a experiência. BEM depois. Porque sei que vou demorar duas eras e meia fazendo isso ehehehehe. Então tá. É isso por enquanto, eu acho.

Quero jogar The Sims.

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