Ansiedade

Jenny Lawson traduziu minha ansiedade para palavras

Se você não conhece Jenny Lawson recomendo dar uma olhada no blog dela e nos livros dela porque ela virou minha melhor amiga.

Sim, ela é piradona e 105635345% pior do que eu nas pirações, mas ela me entende. Ela pôs em palavras vários sentimentos e sensações que eu não conseguia traduzir. Estou completamente apaixonada. E foi o livro dela ALUCINADAMENTE FELIZ que me inspirou um bom tanto para começar esse blog sem roteiro e sem direção. E falar tudo até sentir que o cérebro secou.

Mas então, ontem lendo um dos capítulos de Alucinadamente Feliz, “Você está melhor do que Galileu. Porque ele está morto”, ela escreveu sobre a ansiedade dela. Falou sobre viajar em aviões e subir em palcos, mas que eu consegui identificar exatamente a mesma sensação em lidar com clientes, trabalhar, me encontrar com os amigos, sair de casa. Na verdade eu até conseguia explicar isso com algumas palavras mas ler escrito num livro publicado, nas palavras de outra pessoa, é como se validasse esse sentimento e lá dentro uma vozinha dissesse “Ei, tá vendo que acontece mesmo? Que você não está só e tem gente lá fora passando pelo mesmo?”. Isso dá uma confiança a mais sabe? Dá uma esperançazinha que se essas outras pessoas que sofrem, conseguem, eu também consigo sem infartar antes.

Eis o trecho:

“A maioria das pessoas tem medo de falar em público, mas fico bem em palcos e posso conversar confortavelmente com mil pessoas. O que me assusta não é o palco… o terror, o pavor, encontra-se nas milhões de coisas que podem dar errado até eu chegar a esse palco. E se eu me perder? E se alguém me reconhecer? E se ninguém me reconhecer? Onde posso me esconder até a hora de entrar? E se, quando eu estiver me escondendo, as pessoas virem quem eu sou de verdade… a Jenny aterrorizada, que é entediante e estranha e olha tudo como um animal assustado, em pânico, até chegar ao palco e saber que está no lugar certo e não tem outra opção além de falar? Nesse momento o terror se dissipa por alguns minutos, pois não preciso tomar decisões ou me perguntar o que meu rosto está fazendo. Posso relaxar, porque por esse breve momento não tenho escolha a não ser respirar e seguir em frente.”

Trecho do livro Alucinadamente Feliz, páginas 261 e 262, por Jenny Lawson. (eu sei como fazer citações corretamente pela abnt mas to com preguiça, é meu blog, o crédito tá aí então tá tudo certo)

E eu vi como sou exatamente assim. O cliente liga, converso com ele com o maior profissionalismo do mundo, segura, passo orçamento, fazemos aquele jogo do desconto, contrato fechado, tudo certo e feliz. Daí desse dia até o dia de chegar lá e fotografar, ah meu filho, eu tenho uns 251543452 mini ataques cardíacos, como umas 5 barras de chocolate, entro numas 20 crises, prefiro morrer do que ficar nessa agonia toda. Vem os “E SE”. E se a câmera quebrar? E se eu for pro lugar errado? E se eu me atrasar? E se o cartão de memória pifar na hora? E se acabar a bateria da câmera? E se não gostarem de mim? E se eu não achar onde estacionar?* E se o lugar for mal iluminado?* E se eu ficar com diarreia no dia?* E se eu pegar uma doença grave? E se eu bater o carro?*

* Já aconteceu e eu soube lidar e deu tudo certo no fim das contas

Mas aí no instante que eu chego no local, tudo flui maravilhosamente. Saio sendo super elogiada. Se é festa, me oferecem a velha “marmitinha” com docinhos, bolo, salgadinhos. Se é ensaio, me chamam pra tomar um sorvete, comer algo. Então eu vejo o quão competente eu sou.

Até chegarem os E SE pós trabalho.

E se as fotos ficaram uma merda? E se eu não conseguir editar? E se eu demorar demais? E se eu mandar e os clientes acharem ruim, se arrependerem e pedirem o dinheiro de volta e me difamarem pro resto do mundo? E SE?

Nada disso aconteceu até agora. Quer dizer, algumas fotos ficaram bem ruins, mas puderam ser deletadas e outras foram salvas pelo poder do Lightroom. E eu sempre deixo bem claro que dou o melhor de mim e realmente dou. Se eu não consigo algo, peço desculpas e sou sincera. E me garanto no que consigo. E sou sempre bem elogiada e recomendada. Deveria ser o suficiente para ter segurança e não passar por essa ansiedade pré-evento/ensaio/contato com cliente.

Mas não é porque a ansiedade é mais forte nessas horas. Aí tome-lhe terapia, rivotril, namorado, mãe, chocolate, academia. Mas é assim e vamo lidando.

Agora mesmo enviei um arquivo pra uma cliente e ela super me elogiou lindamente maravilhosamente fiquei vendo unicórnios, arco-iris, estrelas. E aí ela disse que ia mandar um e-mail com umas correçõezinhas mas que eram besteira. Fiquei nervosa, obvio! “Estraguei tudo.” “Esses elogios são em vão” “Ela só tá sendo boazinha mas depois desse trabalho vai me largar porque já fizeram isso comigo várias vezes”. O e-mail chega e meu coração acelera. Procrastino o máximo que posso para abrir. Abro já suando frio com medo de ler. Ai leio. As correções na verdade não foram erros meus. Foram coisas que passaram batidas por ela mesma (porque o trabalho em si é um mapa cheio de detalhezinhos pequenininhos que te confundem mesmo). Nada de mais. Nada para eu sentir minha credibilidade ameaçada. Mas vá explicar isso pra ansiedade.

E se alguém realmente reclamar do meu trabalho, paciência. Ninguém nunca nesse mundo agradou 100% né? Acho até que eu me dou melhor com fracassos do que vitórias. Enfim.

Ah sim! E hoje estou um pouco melhor da bad. Acordei disposta pro trabalho e esqueci que ela existia. Até agora ela está muito bem no cativeiro dela, dormindo sem me atormentar.

Quero ir pegar pokemons.

 

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