Ansiedade · Depressão

Aí eu voltei pra terapia

Aí a sessão me fez questionar MUITA COISA. Aí eu buguei. Aí eu chorei o resto do dia todo porque descobri coisas horríveis (na verdade acho que bem normais na humanidade mas pra mim foram descobertas ruins) sobre mim mesma. Aí eu tô pensando agora: por que estou escrevendo? Porque eu preciso registrar essas coisas antes que elas sumam da minha cabeça porque são coisas muito importantes para que eu possa resolver e me sentir um ser humano mais decente. Por que não deixa pra contar pra terapeuta? Porque eu nunca falo TUDO que eu quero falar. Eu sei que na hora você deixa fluir, deixa falar o que vier na mente, tudo bem natural e tal. Mas percebi que mesmo na terapia eu já vou com palavras premeditadas, escolhidas. Mesmo nas horas “espontâneas”, são raros os momentos que eu falo realmente o que tá lá no fundo do cabeção que me tira o sono de noite. É como se eu só falasse a ponta do iceberg. Ou como seu eu omitisse e até mentisse de propósito, uns dias para parecer melhor, outros dias para parecer pior, propositalmente. Sinceramente não sei por que faço isso. Na verdade até sei uma boa parte de como funciona meu sistema montanha russa/iô-iô. Mas a verdade é que sempre que saio de uma consulta com a psicóloga ou com o psiquiatra, eu sinto como se ainda tivesse MILHÕES DE COISAS PARA FALAR QUE EU NÃO FALEI e isso me deixa mais ansiosa e mais sufocada e sei lá. É como se antes da sessão eu me conectasse com esse eu cheio de coisas pra falar, mas na hora que entro no consultório, ele é domado por outro eu que é mais contido. Porque né, nos únicos lugares que você pode e deve mostrar tudo que você deseja mostrar sobre você, eu tenho que ser uma pessoa contida. E AÍ NA INTERNET, ONDE NÃO É LÁ TÃO SAUDÁVEL SE EXPÔR. EU SINTO A NECESSIDADE DE MOSTRAR TODA A MINHA “LOUCURA” (loucura é uma palavra forte, mas foi a melhor que achei agora, ok? Ok.)

Fernanda, se você tiver lendo isso, anote para conversarmos na próxima sessão.

(eu deveria tá ligando para clínicas para marcar exames e médicos agora mas não aguentei me segurar e TIVE que vir aqui escrever)

Então vamos lá. Parte por parte.

Por que escrever? Porque é recomendadíssimo, claro. Para todo mundo. Você põe para fora tudo. Você vai raciocinando a medida que vai escrevendo e as vezes tem insights e já vai encontrando soluções para o que precisa. E eu sempre me comuniquei melhor escrevendo. Se é para discutir com alguém, verbalmente eu sou um lixo. Não acho argumentos, não penso direito, fico nervosa, gaguejo. E como acontece com a terapia, eu só consigo me comunicar com a ponta do iceberg. Então quando falo, no final sempre fico com a sensação de que não falei tudo. Até porque (eu já falo demais) fico com medo de incomodar as pessoas. Já tive até DRs sobre isso. Sobre o quanto eu falo e o quanto tudo é sobre mim e etc. Então, sei lá, meio que desenvolvi um medo de falar? Na escola eu era muda. “oooh emilia faaaala!”. Na faculdade eu falava até demais e cheguei num ponto que achava que todo mundo me odiava. Com os relacionamentos eu sempre sofri da sensação de não saber argumentar e me sentir uma idiota depois de falar o que pensava e ouvir um puta sermão da outra pessoa. “Porra el@ é tão inteligente e eu aqui sem nem saber o que dizer”. Mas depois eu ia pro meu caderninho e escrevia toneladas e mais toneladas e ficava “PUTA QUE PARIU POR QUE EU NÃO CONSIGO FALAR ESSAS COISAS?????”. Então, escrevendo, eu me dou 300% melhor do que falando. Acho que vou sugerir pros meus terapeutas uma terapia escrita. Vai que né.

Por que digitalmente e não num caderno? Eu teria bem mais privacidade, não iria me expôr, etc. E eu AMO escrever com lápis e papel. Já acabei três cadernos escritos na mão. Mas o problema é que eu penso demais e escrevo devagar. É como se minha mão não acompanhasse meu raciocínio e eu fosse forçada a pensar devagar, e aí acabo me sentindo impaciente. TALVEZ ISSO FOSSE ATÉ MELHOR PARA MIM? Iria me ajudar com a ansiedade, impaciência, eu iria pensar melhor no que tô escrevendo. Acho que realmente seria o ideal mas eu tenho essa voracidade e essa necessidade de escrever correndo para dar tempo de botar tudo para fora antes que o pensamento fuja e eu fique me condenando por ter sido tão lerda. E eu tô com tendinite. Meu pulso já tá doendo aqui, mas acredite que se fosse no lápis, eu já teria largado e já estaria com a bolsinha de gelo na mão.

E por que raios um blog? Eu sei, poderia ser um arquivo de word que eu poderia ir mantendo como um diário, só para mim, sem me expor etc. Tem até blogs com senha, já que eu gosto tanto do formato. Então escreveria e ninguém veria. Mas é aí que a coisa começou a ficar feia e eu descobri alguns “probleminhas”.

Eu QUERO me expor. Sou uma att whore, ou “vadia por atenção”, algo do tipo. Eu realmente tenho necessidade de atenção. O que é contraditório porque tem horas que eu quero ser invisível, no meu canto, esqueçam que eu existo MAS ISSO TAMBÉM É UMA FORMA MINHA DE QUERER CHAMAR ATENÇÃO.

Tem a atenção “boa”, que eu realmente tenho vontade de ter um blog e/ou canal no youtube para poder entrar em contato com outras pessoas que sofrem assim como eu. Ajudar. Eu realmente, sinceramente quero ajudar. Trocar experiências, fazer as pessoas rirem, fazer com que elas não se sintam sozinhas, como eu me senti. Uma necessidade genuína de poder passar um conteúdo bom, de forma leve e engraçada que possa ajudar outros que tão no mesmo barco. E aí vamos para a outra atenção.

A atenção ambiciosa. Blog bombando, cheio de adsense e editoras e outras coisas me patrocinando para entrar $$. Canal no youtube famoso, rendendo dinheiro também, um milhão de inscritos, plaquinhas douradas. Escrever livros (que eu ainda vou escrever porque além dessas coisas mentais tenho histórias fantásticas na minha cabeça implorando para serem escritas). Fama. Quem nunca quis ser famoso, mesmo que por um tiquinho que me jogue uma pedra na cara. Sim, sempre tive a fantasia de criança de ser famosa. Cantora, atriz, autora. O que fosse. E como ainda me sinto criança muitas vezes, sim, sinto necessidade de ser famosa de algum jeito. Ah sim, eu sinto. Vou mandar meu vídeo pro BBB 17.

Terceira e pior atenção: vingança. Sim. Meu coração já começou a palpitar e eu já estou trêmula e chorosa em pensar nisso. Começando a sentir raiva de mim e dos outros. Todo mundo passou perrengue na vida. Todo mundo teve um momento em que foi vítima de sarro e brincadeiras de mal gosto dos coleguinhas. Todo mundo se sente pressionado. Todo mundo briga. Todo mundo tem DRs. Todo mundo tem defeitos. Todo mundo é cobrado a melhorar algo. Todo mundo sofre. Sim. Todo mundo. Não sou especial, não sou a única a ter um apanhado de dores dentro de mim. Mas eu escondia essas dores lá dentro. Em algum lugar no estômago, provavelmente. E eu tentava cobri-las com comida. O que descobri foi que eu quero vingança. Quero mostrar para todo mundo que já me fez sentir mal o quanto eu realmente fiquei mal, o quanto eu fiquei quebrada, as minhas cicatrizes, falar das minhas tentativas de suicídio, o tanto de remédios que eu tomo e esfregar na cara deles “Tá vendo essa pessoa quebrada? Você que criou ela. Mas veja: eu sou forte, estou me recuperando e quero passar na sua cara que sou melhor do que você. Você fez com que eu quisesse morrer. Você fez com que eu tentasse morrer. Mas eu sobrevivi e estou aqui, seguindo minha vida e correndo atrás do que é certo”. E sabe o que é pior? Eu lembro. Lembro de cada rosto, cada nome, cada atitude que tomaram, cada frase que me falaram. Mesmo de coisas de quando eu tinha 8 anos de idade. Eu lembro. Essas frases e momentos ecoam na minha cabeça. Me assombram ainda. Me fazem chorar, me fazem sentir a pessoa mais incapaz do mundo. Mas me dão uma força vinda da raiva. Na época que eu fazia muay thai, eu imaginada cada carinha dessas pessoas quando ia bater. Isso me fez ser a melhor da turma, a mais rápida. Isso me fez nocautear meu mestre. Isso me vez me machucar. Sede de vingança. De querer gritar na cara dessas pessoas até minha garganta sangrar. De querer bater neles até eles sangrarem. Eu guardo muito rancor. MUITO. E isso não me faz bem. Isso me faz querer chamar atenção pelos motivos errados. Isso me faz querer vingança e eu sei que vingança nesse nível não é saudável. Eu mesma sinto isso na pele.

Eu sei, preciso aprender a perdoar, preciso entender que isso passou e que muitas vezes foram brincadeiras de criança na escola, ou que eram até coisas que me diziam “pelo meu bem”, coisas sem a intenção de me machucar. Mas machucou. Acho até que já falei disso com a terapeuta. Mas não sei se cheguei a mencionar esse rancor, esse ódio, essa sede de vingança. Porque EU QUERO me vingar. E quanto mais eu escondo isso, mais isso cresce. Mas eu tinha escondido tão bem que não entrava em contato. Tinha medo de mim mesma quando tinha esses pensamentos. E eu sou sim, uma pessoa fisicamente violenta. Já dei uns socos, já enfiei umas cabeças na parede. Já dei muitos gritos. Se eu acesso esses sentimentos na hora errada, na frente da pessoa certa, no mínimo eu vou presa. E isso me deixou muito mal. Isso me fez chorar o dia inteiro. Isso me fez querer me esconder do mundo. Me sentir o pior ser humano.

Quer mais uma contradição?

Eu quero ser aquela pessoa simpática, gente boa, carinhosa, que ajuda os outros e tá sempre ali para você. *Imagine aqui uma emy sorridente de vestidinho branco, com vários gatinhos, num campo florido, te abraçando. Aquele abraço acolhedor e reconfortante*

Mas

Eu quero ser aquela pessoa que você teme, que você abaixa a cabeça quando ela passa, que você se arrepende de ter dito uma palavra errada, que você sabe se vacilar, ela vai te machucar. *Imagine aqui uma emy de calças de couro pretas, uma regata preta com alguma caveira, botas de salto alto com spikes, com leoas ao seu lado (porque leoas que caçam enquanto os leões ficam de boas lambendo as bolas), num lugar arruinado e escuro, com as mãos em punho. Pronta para fazer você perder alguns dentes e muito sangue.

Essa sou eu. Sei que não sou o único ser humano a se sentir assim. Mas fiquei assustada, apavorada de entrar em contato com esse eu vingativo. Ao mesmo tempo gostei e minha sede de vingança aumentou. Ao mesmo tempo quero tratar isso. Aprender a perdoar. Me perdoar também. Me sentir leve. Aprender a lidar com a raiva.

Dói.

 

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